A Escola Jovem, em Campinas (SP), primeira para o público de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) do país, aberta em março deste ano, foi alvo de violência pela segunda vez este mês. Uma garrafa foi atirada contra o prédio, trincando o vidro da porta da instituição. Ninguém foi atingido. A escola oferece cursos para o público homossexual, como aulas de criação de zines, revistas, criação literária, dança, música, TV, cinema, teatro, performance drag e defesa pessoal.
Segundo o diretor da escola, Deco Ribeiro, pedras já haviam sido atiradas contra a escola em outubro e logo na inauguração, em março, um muro chegou a ser pichado. “Não registramos nenhum boletim de ocorrência, mas estamos pensando em procurar a polícia antes que a situação fuja do controle”, disse Deco.
Ribeiro informa ainda que a Escola Jovem LGBT deverá apressar a compra de câmeras de segurança. “Também vamos fazer um trabalho de conscientização no bairro Nova Europa, onde a escola está instalada.”
No início do mês, também à noite, a casa foi atingida por pedras. Os responsáveis pela escola afirmam que nunca tiveram problemas com a vizinhança e suspeitam de "molecagem". "Não nos parece um grupo de ódio, isso está mais com cara de bullying", afirmou o diretor Deco Ribeiro. Segundo ele, a suspeita recai sobre adolescentes que estudam à noite em uma escola do bairro. "Vamos nos proteger porque isso aí pode crescer, essa é a preocupação", afirmou.A Escola Jovem LGBT foi selecionada como um dos 300 pontos de cultura de São Paulo e vai receber R$ 60 mil ao ano, durante três anos. Financiado por um convênio entre Secretaria de Estado da Cultura e o Ministério da Cultura, o projeto nasceu na ONG E-Jovem, existente desde 2001.
O presidente do grupo E-jovem, Chesller Moreira, também conhecido como a drag Lohren Beauty, estava no local quando jogaram a garrafa. "Eu estava fechando contas a prestar e ouvi um barulhão. Achei que fosse um portarretrato ou quadro que tivesse caído com o vento", disse, referindo-se a objetos de decoração no espaço externo que dá acesso às salas. "Quando fui ver, a escada estava cheia de cacos de vidro", acrescentou. A escola tem 30 alunos e funciona das 9 horas às 19 horas.
FONTE: Estadão <http://is.gd/gSS1c>

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